quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

De Clarice

Quando Chorar

Há um tipo de choro bom e há um tipo de choro ruim. O ruim é aquele que as lágrimas correm sem parar e, no entanto, não dão alívio. Só esgotam e exaurem. Uma amiga perguntou-me, então, se não seria esse choro como de uma criança  com a angústia da fome. Era. Quando se está perto desse tipo de choro, é melhor procurar conter-se: não vai adiantar. É melhor tentar-se de forte, e enfrentar. É difícil, mais ainda menos do que ir-se tornando exangue a ponto de empalidecer.
Mas nem sempre é necessário tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza. Então são lágrimas suaves, de uma tristeza legitima a qual temos direito. Elas correm devagar e quando passam pelos lábios  sente-se aquele gosto salgado, límpido, produto da nossa dor mais profunda.
Homem chorar comove. Ele, o lutador, reconheceu sua luta às vezes inútil. Respeito muito o homem que chora. Eu já vi homem chorar. (Lispector, 25.11.1967)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

E eu não durmo...

A noite ...
um mergulho em teu universo,
tocar teu céu, terra e mar,
ser teu tempo e ser teu par,
plenamente em fogo ardente,
calor de quem vê um céu bonito,
pela janela, que a noite traz magicamente,
que a dor é boa em corpos quentes,
metade querer, metade querer mais,
séria brincadeira do bom prazer,
alegre evidência do tudo que nos alimenta

A noite...
vários beijos,
uma viagem pelos teus lados,
que me faça mover em teus olhos,
que me faça escrava de teu cheiro,
poetisa  de tua atenção,
mistério do teu pensamento,
estrela da noite de teus sonhos,
ou simplesmente o alguém da tua felicidade.

A noite...
apenas quero estar bem ao teu lado,
para te roubar no primeiro segundo do novo dia,
toda atenção do teu ouvido
para poder e dizer bem bonito do dia especial que se abre para nós.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pega vida

" É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, e o que cada um pode dar é imenso"
( Exupéry )

Não vejo sentido numa vida que não se permita contribuir com o bem do próximo, acho que por isso sempre me envolvo em trabalhos voluntários e gosto tanto de servir quem eu amo. Me esforço para viver de bem com a vida.  Me sinto útil e verdadeiramente viva ao trabalhar gratuita e espontaneamente pelo bem de alguém. Então faço a minha parte e se me derem  abertura ofereço a minha mão para viver a vida amando a vida. Ora chorando com os momentos de dor, ora sorrindo com a fala de uma criança, ora pensando nos instantes de dúvida, ora gastando energia na multidão dos acontecimentos.

E por amar a vida, ratifico dia após dia minha felicidade em ter em minha vida, coincidências de gostos , de inteligência, de conversa boa, de tantos momentos de descoberta. De diálogo espontâneo, suave,  de silêncio e de som.Momentos de sorrisos bobos e lindos, de idéias soltas, de cuidados mútuos  e de muito carinho. E se pudesse viver a dor dos que amo, viveria. Se puder contribuir com mais, contribuo. Se puder cuidar , eu cuido e se puder amar ainda mais , eu amo.





Imagem: Google

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sou chorona mesmo

Um dia quem sabe eu consiga não me emocionar com algumas coisas que a maioria acha bobagem. Talvez nesse dia eu já esteja morta. Não quero perder a capacidade de  me comover com fatos que fazem meus olhos se encherem de lágrimas. Sinto-me emocionada quando sinto a voz de quem amo triste, ou quando vejo meus filhos sofrendo ou chorando. Ou quando sinto que não posso ajudar alguém  que está precisando. Ou quando assisto um filme que me arranca soluços, ou quando vejo um mendigo na rua, ou quando ouço canções que me tocam profundamente.
Sempre fui emotiva, mas sempre mantive meu autocontrole. Andei me descontrolando há alguns dias, me arrependo, mas sei que tudo faz parte do meu crescimento como ser humano, como cristã. Então me perdoo. Peço perdão.

Sei que meu Pai me segura pela mão e enxuga minhas lágrimas. Sou tocada profundamente pelo seu imenso e incondicional amor e tenho crido cada vez mais que sou uma pessoa abençoada. A alegria de Deus preenche meu coração e o medo vai embora aos poucos. Meus joelhos se dobram todos os dias para agradecer e suplicar, sei que Ele me escuta. Sei que Ele é meu Pai amado e cuida de mim como ninguém.

Sou ricamente feliz. Amo com profundidade todos os meus. Sou dedicada e espero sinceramente ser agraciada todos os dias pelo amor do meu Pai, pela benção de estar viva e aprender  mais de Deus a cada dia.


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. 
1 Coríntios 13:1-2

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Aventuras culinárias- O café.



Gosto de cozinhar, já disse isto por aqui. Sempre que posso me aventuro na minha cozinha, ou em outra bem especial. Tenho companhia, às vezes sou a comandante, noutras não. Inventamos comidinhas, bebidas, tudo com muitos sorrisos. Acertamos na maioria das vezes, contudo quando se trata de café sorrimos mais ainda, porque sempre erramos feio. A não ser quando eu uso meu velho e amigo saco de pano. Aquele, que troco a cada dois meses, que deixa meu café cheirando a casa toda. Que me lembra muitas manhãs de pão quentinho.


Primeiro tentamos com uma  moka,  agora  uma cafeteira elétrica para fazer café expresso, cappuccino e vaporizar o leite, é claro, mas ô dilema!  Quanto ao café expresso, acredito que  desta vez fizemos, mas não conseguimos vaporizar o leite. Nosso café acabou ficando frio, mas estava gostoso. E leite nem de longe ficou cremoso, ou com aquela espuminha linda. Não sei se erramos no pó, não sei. Eu gostei, mas minha companhia, ficou brava, de bico, igual uma criança da qual tomaram o doce. Por falar em doce, compramos uns docinhos alemães com nozes, deliciosos, para acompanhar nosso expresso, comemos todos, aliás eu comi quase todos, um pecado para minhas taxas de glicemia. Tudo valeu  muito a pena:  o café frio, nossa quase frustração em não acertar de novo; tudo vale a pena  porque tudo o mais é  gostoso e quente. Não desistimos, ainda vamos fazer um café expresso bem  gostoso, quente, com leite vaporizado- o latte-  e quem sabe em uma cafeteira daquelas bem poderosas. A esperança é forte e as sensações são mais fortes ainda.

















Imagens: Google

sábado, 1 de dezembro de 2012

Cada dia

Não quero me preocupar com os dias que estão por vir, principalmente se eles me representarem algo que não almejo, ou mesmo que eu pareça perdida em um outro mundo qualquer, ou ficar lembrando ou contando minutos. Quem sabe eles serão de mais alegria? Apresento a Ele os meus dias.

Não, não vou deixar mais as horas parecerem gelada, apenas olharei a mim mesma, e perceberei meu perfume, meu sorriso e direi com confiança todos os elogios que recebo, porque todos são sinceros e singularmente meus.

E assim, ainda que os dias não sejam todos ensolarados, não deixarei a tristeza brotar,  porque meu mundo é cheio de fatos de vida, de amor, de dança suave, alegria, doce alegria, como prelúdio de uma nova descoberta a cada dia, descoberta de um tempo novo.

E eu, que sou toda doçura, sou muito mais do que eu mesma posso imaginar. Como uma canção em tom vibrante,  harmonia e luz. E eu, bem sei como tenho me renovado, depois deste encontro grandioso. Que me traz paz e lágrimas de reconhecimento do que eu tanto esperava. Me traz poesia, eu que sou poesia toda.  Me traz bençãos e maravilhas, me traz cada vez mais amor.


"Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo."
( 1 Coríntios 15:57)